6.2.11

DESEJOS DE CORES 
Imagem modificada (fotoblog uol)



Desejos de cores me fizeram colocar nas pálpebras um azul clarinho e, nos lábios, um tom alaranjado. Senti o olhar iluminado, se bem que o clarão estava por dentro, e, quando o clarão explode, o fora pede mais, mais atenção, mais cuidado, mais ornamentos: nunca pensei nisso, em ornamentar-me.  Ornamentando-me, procurei o acessório que destacasse minhas pequenas orelhas e disfarçasse meus largos ombros. Tarefa nem tão difícil quanto eu pensava. Na hora certa devo me apresentar.  Nem tão cedo como antes, nos tempos em que a ansiedade comia meu tempo, mas com o tempo suficiente para agradecer por saber-me parte da festa. Festejando,  lembro-me de você, mais uma vez, com saudade de sua leveza em conduzir a vida e concluir os seus projetos. Faço-me presente esquecendo a sua ausência e vou: misturo-me à letra, entrego-me à melodia e embarco, com os dois pés, na celebração tão cheia de frutos, colhidos e recolhidos, no trajeto de 50 anos. E admiro a duração do amor – em fotos, filhos, genros, noras, netos, lembranças e testemunhas - num ritual de puro contentamento, resistindo...recompensando...motivando...tornando-se Amor. Será esse o amor romântico?  Interesse tolo, esse meu, de querer entender as ativações cerebrais que se responsabilizam pela manutenção da chama acesa, mesmo que,  em muitos momentos, esse fogo tenha sido miúdo, escondido sob a cinza quente. E, em cinza quente, o olhar e o toque de um pode fazer o suporte do “suportai-vos” que estimula a renovação das promessas do amor eterno, analiso.
...
E analisando, acolho-me, relembrando o seu olhar que prima pela beleza e encoraja-me em minha constante vontade de me encontrar nesse universo de mundos, coloridos e descoloridos mundos, admirando minhas mãos, agora com garras enfeitadas num vermelho-paixão que buscam identificar e agarrar os variados tons de alegria que a vida propõe.
Um beijo.


JacintaDantas

13 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Procurar entender as motivações que mantêm a chama acesa, nunca é tolice... é olhar para dentro de nós e descobrir a incessante renovação do amor.
Excelente texto. Gostei imenso, querida amiga Jacinta.
Bom Domingo. Beijos.

Eurico disse...

E que sejas e/ternamente feliz, agora.

Abç fra/terno

Paula Barros disse...

Jacinta, o seu texto me traz o como o dentro influência no fora..nas cores, luzes, sons..no que nos ornamenta.


Um texto que combina comigo em alguns trechos, e que eu gostaria de ter escrito. Muito belo.

beijo

CeciLia disse...

Os olhos falam azul, dia de domingo, comemoração de vida. Belo texto, querida Jacinta,
Beijo,

layla lauar disse...

um festival de cores... de sensações, de sentimentos, de lembranças... um texto para ser lido e relido muitas vezes...

lindo!

beijos Jacinta

Eurico disse...

O Drummond, com certeza, pensava em um belo jardim, como esse do Florescer, cuidado por uma rara flor de pessoa.

Abç fra/terno.

Benno disse...

o que seria do mundo se não fossem as cores? seria possível a felicidade? talvez sem as cores fossemos mais tristes... não precisaria nem de dor para ser triste, então vamos tirar o "d" da palavra dor e trocar por "c" e secar os olhos dessas lágrimas que anda inundando e afogando nossos olhos, desabando as encostas de nossas vidas e prestar atenção na cor de que se enchem as estações do ano, as florestas, bosques e jardins, nossas casas, e deixas olhos vibrantes e encantadas pelas mágica das cores do mundo. Beijos

Jens disse...

Oi Jacinta.
Teu poema em prosa tem o poder de atiçar memórias sensoriais eventualmente adormecidas, como a febre que assola corações e mentes apaixonados, labaredas cujo calor é fonte de alegria de viver. Faz também a gente não esquecer que a felicidade é multicolorida.
Obviedades? Talvez sim; porém por vezes esquecidas ou nem por todos percebidas. Daí a importância de sermos lembrados periodicamente das veredas de maravilha que se apresentam na nossa caminhada. Tarefa para a sensibilidade de bons poetas.
Como você.
***
Pois é, amiga, cá estou ainda estropiado, resistindo, insistindo, escrevendo. Não quero e não posso abdicar da escrita (de qualquer maneira, apesar de tudo), pois sem palavras minha alma entristece e o espírito se fecha. Parafraseando os versos de uma música dos verdes e maravilhosos anos 80: porque escrever parece com não morrer, é igual a não se esquecer que a vida é quem tem razão.

Beijo.

Claudinha ੴ disse...

Jacinta, toda celebração de vida é assim, paixão, céu e mar, por causa do azul, vermelho e das luzes. A paixão, o amor se reflete ao olharmos para trás nas estradas que percorremos. Que lindo poder comemorar assim. Parabéns! Um beijo!

Euza disse...

este texto é verdadeiramente um florescer. e neste vermelho-paixão, roubo a beleza das palavras e eu floresço junto, viu? :)
beijão

Vieira Calado disse...

Olá, como está?

depois duma forçada ausência

aqui estou de novo a visitar os amigos!

Saudações minhas

miguel disse...

Jacinta, texto maravilhoso, a felicidade é colorida. Saúde minha cara.

ex-controlador de tráfego aéreo disse...

Colorir o mundo é perceber a natureza, a humanidade aperfeiçoada ou não, mas em sua trajetória na busca da perfeição: do amor.

Um beijo também!!!