25.2.11

Foto: Andra Valladares
 


Querida amiga,


O tempo é de Deus, acredito. Descortina-se o tempo que nos será dado quando irrompemos em explosões vertidas em água,  sangue, suor, lágrimas... e,  então, revela-se, do útero aconchegante da mãe  o milagre de chegarmos ao desconhecido mundo no qual somos colocados por Deus com um propósito definido.

No trajeto, vamos nos encantando pela experiência de criar e recriar a ação do nosso viver. Vamos moldando nosso jeito de participar no mundo, fazendo nossas opções e seguindo o caminho para o qual somos convocados.

E, em 25 de fevereiro, o tempo é de celebração. Parabéns nesse dia em que se comemora mais um ano de sua existência. 76 anos hein! Quanta Vida você nos dedica com seu jeito despojado, acolhedor e com seu carinho, principalmente nos momentos em que estamos fragilizados pelos reveses no viver. 

Por alguma razão, o mês dedicado à lembrança de sua chegada, foi escolhido para ser, também, o mês que lembraremos o dia em que seu irmão partiu. É a vida que se faz no tempo certo. Tempos, minha irmã. “Tempo de alegrar e tempo de chorar, tempo de plantar e tempo de colher, tempo de nascer...”

E assim é. “Um dia a gente chega, noutro vai embora”. E, entre chegar e partir, a missão é fazer o que você está fazendo. Viver.

Nosso querido irmão Maurício, seu irmão no sangue e na vida, completou o caminho, escutando e atendendo ao chamado. Soube exercer com maestria a arte do bem viver, convivendo, acolhendo e amando as pessoas. Amar. Sinto que esse é o verbo que bem define o Cônego.  Amor –  sei que esse foi seu movimento – movimento que nos deixa o legado de simplicidade e autenticidade em cada um de seus gestos e em cada uma de suas palavras.

O que nos deixa feliz, além do prazer de termos sidos agraciados no encontro do nosso tempo com o tempo dele, é saber que seus 84 anos, vividos por aqui, foram marcados pela alegria de abrir clareiras, acolhendo as diversas etapas de sua vida com a sabedoria de quem se sabe importante no projeto para o qual foi escolhido.

Agora, no fechar das cortinas do seu tempo, sabemos que Maurício concluiu o ciclo de sua existência humana.  Talvez, a saudade não nos deixe enxergar, com clareza, esse passo que agora foi dado, mas temos certeza de que, seus passos foram ao encontro da dimensão maior de Vida. Nosso Divino Pai Eterno. Dele viemos e para Ele voltaremos. 


Com todo o meu carinho.


JacintaDantas

19 comentários:

Osvaldo disse...

Jacinta;

Que maravilhosa crónica, dedicada a alguém que soube cumprir com exatidão a terefa a ele incumbida pelo Mestre.
certamente que o Maurício dedicou sua vida a seguir o instinto vocacional para o qual foi preparado e agora apenas confere a contabilidade de vida terrena com o "Chefe" para ver se nada foi esquecido e certamente que não, porque as "incumbidas" são perfeitas.

Obrigado, Jacinta, por tão bela crónica que eu li, não sei porquê, às 3h40 da manhã numa noite sem sono nesta velha mas bela Europa.

bjs, jacinta.
Osvaldo

Ilaine disse...

Então, primeiro o Osvaldo... agora, mas alguém desse velho mundo lhe encontrando e, entre nós, já não existem distâncias.

Que lindo texto, escritora. Um trajetos de vida: Eutalinha e seus 76 anos e as lembranças de maurício. Uma deliciosa leitura. Beijo

Paula Barros disse...

A estrada da vida, para uns mais longa, para outros mais curta. Para alguns mais reta, para outros mais sinuosa. Uns vens e outros vão, todos de passagem.

Uma linda mensageme homenagem para Eutalinha e lembrança de Maurício que fortifica aos que precisam caminhar nesta estrada da vida.

beijo

Miguel S. G. Chammas disse...

Jacinta, Dezembro é realmente um mes marcante.
É o mes de registro do tempo, nele registra-se a passagem do tempo pelos anos da vida, ousa-se comemorar o nascimento Dêle (será que foi mesmo nesse mes, ou foi o mês que trouxe para sí esta sigtnificância?).
Em Dezembro encerrou sua passagem neste plano aquela que me deu à luz, e em Dezembro você nos revela, agora a sua "perda".
Não é bonito?
Gostaria de ecerrar minha existência tambem nesse mes!
Parabéns por sua inspiração.

miguel disse...

Jacinta, maravilhoso escrito. Feliz é a lembrança daqueles que se foram e que nos marcaram profundamente, a morte desemboca na vida e jamais morrerão. A outra grande certeza é que um dia nos encontraremos novamente, não é mesmo? Meu beijo minha cara, logo mais estaremos por aqui.

Canto da Boca disse...

Como bem disseste, Jacinta, a vida e o tempo de cada um. O propósito nem nós mesm@s sabemos, só estamos, e vamos estando da melhor forma que pudermos, porque quando tivermos que voltar, tudo ter tido um sentido como os que tu descreves aqui.

Beijo e ótimo final de semana!

Canto da Boca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jens disse...

Oi Jacinta.
Chegar e partir são condições inerentes ao ato de viver. O importante, como você destaca, são as escolhas e os atos que praticamos entre a chegada e a hora da partida. Pelas tuas palavras, é possível perceber que Maurício realizou com galhardia a sua travessia. Ao fim da existência, poucos podem ostentar tão nobre troféu.
Parabéns a você pela bela homenagem e pela e generosidade de partilhar conosco tuas lembranças.

Um beijo.

Elcio Tuiribepi disse...

Oi Jacinta...obrigado pelo comentário lá no Verseiro
Sabe de uma coisa Jacinta, poucas vezes aqui na blogosfera li um texto tão cheio de vida, de equilibrio, visão e comprensão sobre quem completa o caminho
A forma como escreveu nos faz sentir o tamanho da alma de cada pessoa citada....muito...muito...muito bonito
Um abraço na alma
Beijo

Dauri Batisti disse...

Palavras assim tão bem arranjadas em lucidez e sentimento revelam como tua mão, Jacinta, e o teu coração, se conectam bem, conexão perfeita. Parece que a arte de viver que o Mauricio tinha se expandiu bem até o teu coração.

Abraço

PAULO disse...

Jacinta!

Cônego Maurício e Eutalinha sãomais do que corações irmãos. São sinais de amor, como você tão bem apresentou. A chegada e a partida se completam com a vivência do AMOR. Tem alegia no céu coma a chegada do Maurício, temos também alegrias pelos 76 anos da Eutalinha. Dia 26 de fevereiro não podemos esquecer. Jacinta, continue expressando seus sentimentos, parabéns pelo inspirado texto.
Paulo César

Benno disse...

Procurei a citação de um dos meus escritores favoritos, Montaigne, mas não encontrei, ele dizia, se bem me lembro, que os romanos, por considararem a sílaba "mort" (morreu em francês) de mau tom, douravam o passamento de seus queridos usando um antônimo muito mais significativo : viveu!. Acho que isso diz tudo, não é a morte, mas a missão finalmente completa. Linda semana. Benno

pensandoemfamilia disse...

Olá
Vim agradeçer e retribuir sua visita e li o texto que dedicou a celebração do nascimento e a vinda da morte, enfim a vida...

dade amorim disse...

Uam texto que transpira espiritualidade e generosidade pela partilha desses sentimentos.
Beijo, Jacinta.

Jota Effe Esse disse...

Cnegar e partir estão inseridos no contexto do qual sempre fizemos parte. Sigamos! Meu beijo.

Claudinha ੴ disse...

Olá Jacinta! Estou aqui comovida com suas palavras e homenagem saídas do coração. Viver nada mais é que renascer. É preciso celebrar todos os momentos e graças recebidos e o amor que te guia nos é transmitido aqui. Eu lhe desejo muitas outras oportunidades para celebrar os aniversário dos seus, com palavras tão lindas. E para quem já foi para a Pátria espiritual, o mesmo carinho e o mesmo amor! Um beijo grande!

Luciana Andrade disse...

"o trem que chega é o mesmo trem da partida.. a hora do encontro é também despedida.. e a plataforma dessa estação é a vida..."

Francisco Dantas disse...

Jacinta, o cônego Maurício, com certeza, combateu o bom combate, guardou a fé; por isso, mereceu a recompensa de estar com Deus, na glória dos eleitos. Um beijo do primo.

Madalena Barranco disse...

Querida Jacinta,

Crônica que me comoveu, pois traz a verdade de um coração que permanece, porque ativou um pedaço seu em cada ser que tocou... obrigada pelo belíssimo texto.

Beijos, com carinho
Madalena